O bebê esta sentado. E agora?

Você já ouviu falar em Versão Cefálica Externa (VCE)? É uma manobra que consiste em mudar a posição do bebê durante a gestação, ou seja, deixar “de cabeça para baixo” um bebê que estava em posição pélvica (sentado) ou transversa (atravessado). O procedimento vem ressurgindo nos últimos 15 anos, em função de trabalhos que comprovam sua segurança e taxa de sucesso elevadas.

Aproximadamente 25% dos bebês estão em apresentação pélvica com 28 semanas de gestação. A incidência diminui conforme a gravidez evolui: com 32 semanas 7% estão nessa posição e, após 36 semanas, entre 3 e 4% estão sentados. Apenas 8% dos bebês mudam de posição espontaneamente depois da 36ª semana de gestação.

Foi o que aconteceu com N.S.. Na 38ª semana de gestação, se submeteu a uma Versão Cefálica Externa com anestesia no hospital. Ela conta que foi um momento de emoção e expectativa. “No dia chorei. Eu queria muito que minha gravidez e parto fossem bem naturais, com as mínimas intervenções possíveis”. Pouco antes de entrar no centro cirúrgico, “a médica me disse que em minutos eu seria a mulher mais feliz do mundo”. E assim foi. A anestesia mal havia surtido efeito e Helena já estava em posição cefálica. “Chorei de novo, mas desta vez de alegria!”, lembra.

Veja o vídeo do procedimento

Em média, a tentativa de mudança da posição do bebê é bem sucedida em 58% dos casos (1) e aumenta a possibilidade de um parto normal, embora o índice de cesárea seja de 2 a 3 vezes maior do que em mulheres com bebês em apresentação cefálica espontânea no final da gestação.

O receio da realização de uma cesariana, levou L.B. a buscar um profissional capacitado para a tentativa da VCE. Após a 35ª semana de gestação, a filha permanecia pélvica e com indicativos de restrição de crescimento. Após esclarecimentos médicos, realizou o procedimento no hospital. “A médica me olhou de um jeito que nunca mais vou esquecer e disse: "você ainda pode ter um parto normal. A versão pode dar certo. É um procedimento, mas é muito mais seguro e menos invasivo que uma cesárea", relembra.

No dia da VCE, ela estava nervosa. “Tudo poderia acontecer naquele dia. A Versão poderia dar certo e voltaríamos para casa para esperar o dia escolhido pelo bebê para nascer ou durante o procedimento o trabalho de parto poderia ter início. O bebê podia não virar e aí uma cesárea seria necessária”, conta.

Na terceira tentativa da Versão, a menina virou. “Que emoção, alegria, eu não sabia se ria, chorava. Eu e meu marido nos beijamos, tinha dado certo! Cinco dias depois nossa pequena nasceu num parto normal hospitalar”. L.B. diz que a Versão Cefálica Externa devolveu à ela a possibilidade de escolha. “Apesar de ser um procedimento hospitalar, não é agressiva nem para a mãe e nem para o bebê, e o fato de ter sido realizada por uma equipe humanizada fez toda a diferença”, acredita.

O procedimento é feito com a mulher deitada confortavelmente sobre uma superfície firme. A manobra consiste em ajudar o bebê dar uma “cambalhota”. Com uma das mãos, guia-se a cabecinha do bebê em um sentido e a outra mão gira o bumbum no sentido contrário, mantendo o monitoramento fetal periódico.

A obstetra Andrea Campos realiza o procedimento desde 2004 e relata 75% de sucesso nas manobras realizadas até hoje, sendo que 41% não necessitaram de anestesia. Segundo a médica, o melhor momento para a realização da manobra em bebês com apresentação pélvica é quando a gestação está entre 36 e 39 semanas e sem que haja contraindicações. “Já em caso de apresentação oblíqua ou transversa, usualmente é oferecida com 39 semanas de gestação”,

informa. Também é possível realizar a VCE durante o trabalho de parto, desde a bolsa das águas não esteja rompida.

A gestante pode também buscar tratamentos alternativos, como manobras posturais para facilitar a versão espontânea – sempre acompanhada por um profissional capacitado –; acupuntura; moxabustão (uma espécie de acupuntura térmica, feita pela combustão de ervas); ou adoção da chamada “conduta expectante”, que nada mais é do que não interferir e aguardar a alteração espontânea da posição do bebê.

SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO

External cephalic version-related risks: a meta-analysis. Grootscholten K, Kok M,

Oei SG, Mol BW, van der Post JA, Obstet Gynecol. 2008;112(5):1143;

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